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Suástica: Jovem que fez denúncia desiste de caso, polícia investiga

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Rio Grande do Sul

Estudante optou por não dar continuidade à denúncia de agressão; Polícia Civil vai continuar apurando

Por
Paula Sperb

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11 out 2018, 20h12 – Publicado em 11 out 2018, 17h11

A jovem de 19 anos que registrou boletim de ocorrência relatando ter sido marcada com uma suástica, símbolo do nazismo, em Porto Alegre, desistiu de dar continuidade à denúncia. Ela abriu mão da chamada representação criminal e tem seis meses para retomar a denúncia, caso deseje. A Polícia Civil, entretanto, seguirá investigando o caso.

Ela conta ter sido agredida ao descer do ônibus na noite de segunda-feira, 8 por três homens que a identificaram como LGBT e apoiadora do movimento #elenão [contra Jair Bolsonaro (PSL)]. O boletim de ocorrência foi registrado no dia seguinte, e o caso foi divulgado nas redes sociais por uma jornalista moradora de Brasília, amiga da estudante. O exame de corpo de delito deve ficar pronto em até 30 dias.

O delegado responsável pelo caso, Paulo Jardim, afirmou que o desenho gravado não é uma suástica, mas um símbolo budista, de “paz e amor”. A afirmação se deve ao fato de o ícone no corpo da vítima estar invertido (veja a reprodução do símbolo budista abaixo) em relação ao símbolo nazista.

Símbolo budista que lembra a suástica nazista

Símbolo budista que lembra a suástica nazista (iStock/Getty Images)

Ele investiga grupos nazistas no Rio Grande do Sul há 15 anos De fato, existe um símbolo do budismo que lembra a suástica. Porém, o contexto da denúncia da garota indica que a intenção dos agressores seria a de marcar um símbolo nazista, mesmo que errado, e não um símbolo budista.

“Ela não desejou representar criminalmente. Inicialmente, ela não tinha interesse em fazer o registro, só fez [o B.O] porque uma amiga queria colocar a notícia no Facebook, para dar mais qualidade [ao relato]”, disse o delegado a VEJA sobre o depoimento que tomou da jovem na terça-feira, 10.

Questionada sobre a afirmação, a advogada da estudante, Gabriela Souza, que acompanhou o depoimento, disse que ela está muito assustada com a repercussão. “Eu estava junto. Temos que lembrar que ela é uma menina de 19 ano, respeitar o ‘luto’ e o medo dela [após a agressão]. Ela ficou com receio, não contou para os pais. Tive que falar com a mãe dela, é muito grave, estão caindo em cima dela [nas redes sociais]”, afirmou à reportagem.

Sobre a afirmação de se tratar de um símbolo budista, a advogada diz que não se pode “confundir um símbolo de ódio com um símbolo de amor”. “As pessoas não olham o contexto, ele olhou um símbolo e viu as ‘pernas’ da suástica para outro lado e disse que era símbolo do amor”.

Segundo Jardim, a Polícia Civil continuará investigando, mesmo que a jovem tenha desistido do caso neste momento. A intenção, segundo o delegado, é esclarecer o que ocorreu e descobrir se há “outro tipo de crime”, sem especificar quais.

 


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