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Programas de certificação de carne ovina enfrentam desafio no Rio Grande do Sul

Criadores conseguiram dois projetos até momento

Criadores conseguiram dois projetos até momento

A certificação da carne tem sido um desafio para a ovinocultura gaúcha. Com demanda aquecida, mas sem produção em volume suficiente, os criadores conseguiram operacionalizar, até o momento, dois programas de certificação: os selos Qualidade Corriedale Gaúcho para Carne Ovina e Cordeiro, da Associação Brasileira de Criadores de Corriedale, e Cordeiro Gaú-cho, Garantia de Origem, da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).

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Assessor técnico da Arco, Edegar Franco garante que a carne ovina do Rio Grande do Sul é muito procurada no mercado interno e para exportação, mas o setor não consegue ampliar suas ações de marketing pela dificuldade de atender o volume demandado. Franco explica que a combinação de gramíneas e leguminosas na pastagem de ovinos no Estado confere à carne um sabor diferente do obtido em outras regiões do Brasil. “A entrega de carne certificada tem apresentado um crescimento pequeno, mas consistente e de acordo com o nosso potencial de entrega”, aponta o assessor.

No ano passado, foram comercializadas 19 mil toneladas de cordeiro, 3 mil a mais que em 2016. A previsão, segundo Franco é que em 2018 se ultrapasse as 20 mil toneladas, nos quatro frigoríficos gaúchos credenciados para o abate de ovinos certificados.

A expansão desses programas depende integralmente da retomada do crescimento do rebanho ovino gaúcho, que está em queda livre nas últimas quatro décadas. Os dados mais recentes são desencontrados, mas confirmam a retração. Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), o rebanho ovino do Estado tem 3,1 milhões de cabeças em 2018.

Já o Censo Agropecuário de 2017, do Índice Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta 2,6 milhões de cabeças. No final dos anos 1970, o rebanho era de cerca de 12 milhões de cabeças. O número de produtores é de 48 mil, o que representa um rebanho médio por produtor de 65 cabeças.

“Múltiplos fatores levaram a ovinocultura a esta situação, dentro e fora da porteira, e nós precisamos nos desafiar a produzir melhor”, afirma o superintendente de registro genealógico da Arco, Edemundo Gressler. O dirigente observa que o abigeato, as pragas silvestres e a dificuldade de mão de obra costumam ser invocados pelos produtores como vilões, mas diz que é difícil o ovinocultor reconhecer os erros dentro da propriedade. “Nós temos uma taxa de mortalidade de cordeiros que ronda os 30%, altíssima e resultante de problemas de manejo. Não adianta o produtor reclamar de tudo e não fazer seu dever de casa”, completa.

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Técnicas de melhoramento

Recém eleita presidente da Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), a ovinocultora Cristina Soares Ribeiro, de Pedras Altas, diz que os produtores da raça – que representa 60% do rebanho gaúcho – começam a adotar técnicas para melhorar a natalidade e fazer frente à demanda por carne. A principal delas, afirma Cristina, é a tosquia, feita de 90 a 45 dias antes do parto, que obriga a ovelha a buscar mais alimento e, em consequência, abrigar um cordeiro maior e mais forte.

A também recém eleita vice-presidente da ABCC, Elizabeth Lemos, coordenadora do programa de carne certificada da Corriedale, observa que a ovinocultura não vem conseguindo crescer mais em função da indisponibilidade de matéria-prima. “O produtor tem sim de lidar com questões como abigeato, predadores e mão de obra. Mas o setor enfrenta ainda a competição com a soja, que chama atenção pela rentabilidade, e com a remessa de cordeiros vivos para Estados como Santa Catarina e Paraná, cujos governos concedem mais estímulos que o nosso”, completa.

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Trabalhador com dedicação

Produtores de ovinos que participaram da 41º Expointer concordam que existem muitos problemas a serem resolvidos para que o rebanho volte a crescer. No entanto, apontam a questão da mão de obra como uma das mais difíceis de solucionar, ao mesmo tempo em que admitem que ela tem grande influência no bom manejo do animal e na diminuição de perdas do plantel.

Teófilo Garcia, proprietário da Cabanha Cerro Coroado, em Santo Antônio das Missões, é ovinocultor desde 1980, investindo nas raças Ile de France e Texel. Ele ressalta que o rebanho ovino precisa de uma atenção diferente da que é dada aos bovinos, por exemplo. “São animais de porte menor, sujeitos a predadores, que precisam ser observados diariamente e que não podem ficar simplesmente soltos no campo”, frisa.

Garcia que tem como cabanheiro de sua propriedade, há três décadas, Lélio Coitinho Silva, afirma que, além da confiança entre patrão e empregado, é necessário o gosto do peão pela ovinocultura. Seu Lélio, já aposentado, pretende encerrar as atividades do cuidado com as ovelhas ainda este ano. Responsável pela seleção de peões da Cerro Coroado, garante que trabalhador até aparece, mas que os preparatórios não servem de nada se o peão não tiver “amor pelo bicho”.

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Essa identificação com as ovelhas é o que não falta a Matheus Meireles de Souza, que fez sua estreia este ano no Parque de Exposições Assis Brasil, como “peão de carteira assinada”. Matheus, de 18 anos, afirma conhecer as ovelhas desde a infância, quando começou a frequentar a cabanha acompanhado do pai. “Eu quero mesmo trabalhar com isso, é o meu primeiro emprego oficial”, comemora o jovem.


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