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Dólar dispara e vai a R$ 3,90 nesta quinta-feira

Incerteza com o cenário interno é o principal motivo para a valorização da moeda americana

Por
Gilmara Santos

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7 jun 2018, 10h56 – Publicado em 7 jun 2018, 10h36

O dólar abriu mais um pregão com forte valorização. Às 10h25 desta quinta-feira, 7, a moeda americana apresentava alta de 1,56%, cotada a 3,90 reais. Na véspera, fechou no patamar de 3,83 reais, o maior em mais de dois anos, em meio à piora da avaliação os investidores sobre a cena política local. A última vez que a moeda tinha fechado um pregão acima de 3,80 reais foi em 2 de março de 2016, quando encerrou cotada a 3,88 reais.

“O dólar está disparando nesta manhã, apesar da intervenção do Banco Central. Isso mostra que o mercado está querendo desmontar suas posições, com as empresas buscando proteção para passar por esse período de incerteza”, explica o economista chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

O cenário interno aparece como o principal vilão do mercado. A preocupação com os rumos da economia, as incertezas eleitorais e os desdobramentos da greve dos caminhoneiros levam à valorização da moeda. O mercado está cauteloso diante das contas públicas, que devem ter impacto com o subsídio ao diesel concedido pelo governo para acabar com a paralisação dos caminhoneiros. Além disso, há muitas indefinição em relação aos candidatos à presidência da República.

Pesquisas eleitorais têm mostrado dificuldade dos candidatos que o mercado considera como mais comprometidos com ajustes fiscais de ganhar tração. Nesta semana, levantamento do DataPoder360 mostrou que o candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) estava na segunda posição, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com Geraldo Alckmin (PSDB), visto pelos investidores com perfil reformista, sem decolar. 

“Não fosse a intervenção do Banco Central no câmbio, o dólar já estava acima de 4 reais desde o fim da semana passada”, considera o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo.

De acordo com Bergallo, os motivos para o câmbio ganhar força são os fatores já anunciados. “Há uma tomada de posição de aversão a risco por parte dos investidores em relação ao cenário brasileiro, tanto pelo problema fiscal quanto pela fragmentação do cenário eleitoral, e aliado com a recuperação forte da economia americana”, diz.

“O Brasil passa por um forte momento de turbulência com forte influência das incertezas políticas e mercado externo. Essas indefinições fazem com que o investidor estrangeiro também pare de apostar no país. Vamos precisar de muita cautela e investir de forma cuidadosa para estar protegido, mas também é possível aproveitar oportunidades que tendem a aparecer em momentos como esse”, diz a assessora de investimentos da FB Wealth Planejamento Patrimonial, Daniela Casabona.

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, operava em baixa de 1,28% aos 75.146 pontos, por volta das 10h30. As ações preferenciais da Petrobras, as mais negociadas, caiam 2,08%.

 

 


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